O poema Paraso Perdido de John Milton vai ganhar uma adaptao para cinema com um elenco de primeira. A atriz Camilla Belle (?10.000 A. C.?) ser a primeira mulher, Eva, o ator Casey Affleck (?O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford?) tambm far parte do elenco.
O personagem Lcifer ser interpretado por Bradley Cooper (?Se Beber No Case?) Benjamin Walker (?A Conquista da Honra?) ser o arcanjo Miguel e Djimon Hounsou (?Diamante de Sangue?) ser Abdiel o anjo da morte.
O enredo do poema Paraso Perdido conta a histria de Miguel e Lcifer que so dois arcanjos de Deus que compartilham de uma grande amizade at que o criador resolve dar vida ao ser humano. Lcifer no aceita a humanidade e se revolta de forma que expulso do Paraso.
O filme estreia em 2013.
Confira o poema:
Paraso Perdido
John Milton
Do homem primeiro canta, emprea Musa,
A rebeldia ? e o fruto, que, vedado,
Com seu mortal sabor nos trouxe ao Mundo
A morte e todo o mal na perda do den,
At que Homem maior pde remir-nos
E a dita celestial dar-nos de novo.
Do Orebe ou do Sinai no oculto cimo
Estars tu, que ali auxlios deste
Ao pastor que primeiro aos escolhidos
Ensinou como do confuso Caos
Se ergueram no princpio o Cu e a Terra?
Ou mais te agrada Sio e a clara Sloe
Que mana ao p do orculo do Eterno?
L donde ests, invoco o teu socorro
Para este canto meu que hoje aventuro,
Decidido a galgar com vo inteiro
Muito por cima da montanha Ania,
De assuntos ocupado que inda o Mundo
Tratados no ouviu em prosa ou verso.
E tu mais que ela, Esprito inefvel,
Que aos templos mais magnficos preferes
Morar num corao singelo e justo,
Instrui-me porque nada se te encobre.
Desde o princpio a tudo ests presente:
Qual pomba, abrindo as asas poderosas,
Pairaste sobre a vastido do Abismo
E com almo portento o fecundaste:
Da minha mente a escurido dissipa,
Minha fraqueza eleva, ampara, esteia,
Para eu poder, de tal assunto ao nvel,
Justificar o proceder do Eterno
E demonstrar a Providncia aos homens.
Dize primeiro, tu que observas tudo
No Cu sublime, no profundo Inferno,
Dize primeiro a causa irresistvel
Que mover pde os pais da prole humana,
Em to prspera sina, ao Cu to caros,
A apostatar de Deus que o ser lhes dera
E a transgredir a lei que lhes ditara,
Sendo s em um objeto restringidos,
No mais senhores do universo Mundo:
Quem lhes urdiu a seduo malvada
Que os lanou em to feia rebeldia?
O Drago infernal. Com torpe engano,
Por inveja e vinganas instigado,
Ele iludiu a me da humana prole,
L depois que seu mpeto soberbo
O expulsara dos Cus coa imensa turba
Dos rebelados anjos, seus conscios.
Confiado num exrcito tamanho,
Aspirando no Empreo a ter assento
De seus iguais acima, destinara
Ombrear com Deus, se Deus se lhe opusesse,
E com tal ambio, com tal insnia,
Do Onipotente contra o Imprio e trono
Fez audaz e mpio guerra, deu batalhas.
Mas da altura da abbada celeste
Deus, coa mo cheia de fulmneos dardos,
O arrojou de cabea ao fundo Abismo,
Mar lgubre de runas insondvel,
A fim de que atormentado ali vivesse
Com grilhes de diamante e intenso fogo
O que ousou desafiar em campo o Eterno.
Pelo espao que abrange no orbe humano
Nove vezes o dia e nove a noite,
Ele com sua multido horrenda,
A cair estiveram derrotados
Apesar de imortais, e confundidos
Rolaram nos caches de um mar de fogo.
Sua condenao, porm, o guarda
Para mais fero horror: e vendo agora
Perdida a glria, perenal a pena,
Este duplo prospecto na alma o punge.
Lana em roda ele ento os tristes olhos
Que imensa dor e desalento atestam,
Soberba empedernida, dio constante:
Eis quando de improviso v, contempla,
To longe como os anjos ver costumam,
A terrvel manso, torva, espantosa,
Priso de horror que imensa se arredonda
Ardendo como amplssima fornalha.
Mas luz nenhuma dessas flamas se ergue;
Vertem somente escurido visvel
Que baste a pr patente o hrrido quadro
Destas regies de dor, medonhas trevas
Onde o repouso e a paz morar no podem,
Onde a esperana, que preside a tudo,
Nem sequer se lobriga: os desgraados
Interminvel aflio lacera
E de fogo um dilvio alimentado
De enxofre abrasador, inconsumptvel.
A justia eternal tinha disposto
Para aqueles rebeldes este stio:
Ali foram nas trevas exteriores
Seu crcere e recinto colocados,
Longe do excelso Deus, da luz emprea,
Distncia tripla da que os homens julgam
Do centro do orbe abbada estrelada.
Oh! como esse lugar, onde ora penam,
diverso do Cu donde caram!
Logo o monstro descobre a turba vasta
Dos tristes que na queda tem por scios
Arfando em tempestuosos torvelinos
Do undoso lume que hrrido os flagela.
Prximo dele ali coas vagas luta
O anjo, imediato seu em mando e crimes,
Que foi chamado nas vindouras eras
Belzebu, nome Palestina grato.
CULTZONE