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Fotógrafo André Vieira busca Amazônia que ninguém vê
A fotografia é a mosca da parede que eu sempre sonhei ser
Thiago Rosa 2009-02-11
"A fotografia é a mosca da parede que eu sempre sonhei ser". Esta é a frase que motivou a trajetória do carioca André Vieira. Jornalista por formação e fotógrafo por opção, como ele mesmo diz, possui trabalhos publicados por veículos como New York Times, Vanity Fair, The Los Angeles Times e National Geographic Brasil. Com a experiência profissional de quem registrou a guerra do Afeganistão e a destruição da região amazônica, Vieira diz que a fotografia o permitiu adentrar, por meio das lentes de uma câmera, em realidades bastante complexas e diferentes do cotidiano usual.

Desde a graduação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), o apreço pelas câmeras e negativos falava mais alto, o que, inclusive, foi um fator relevante pela opção do curso. "Queria fazer algo que me permitisse viajar. Sempre vi o mundo de um modo fotográfico. Era uma desculpa para eu entrar em uma realidade que não é a minha".

E essa "invasão" no cotidiano alheio tornou-se sua realidade em poucos anos. Formado em Jornalismo e, após passagens pelo jornal O Dia e revista Manchete, Vieira partiu para Nova York, de onde começou a atuar como freelancer em veículos brasileiros e norte-americanos. Em um destes trabalhos, realizado em 2001, percorreu a montanhosa e seca região do Afeganistão, em meio à invasão dos EUA, onde conheceu os paradoxos de um conflito armado. "Guerra é um grande desperdício de gente, recursos e vidas. Com o tempo, ela se torna o cotidiano das pessoas (...) Tive que andar no lombo de um jegue e, a menos de 1 km, bombas teleguiadas de alta tecnologia eram lançadas pelas milícias".

Em 2002, Vieira voltou às raízes e se fixou no Rio de Janeiro (RJ), cidade que se tornou como um pouso na rotina itinerante do fotógrafo. De lá, dirigiu-se para diversos pontos do mundo, entre América, Europa e África. A região industrial do Vale do Ruhr, na Alemanha, as áreas de minério da Guiana Francesa e o mercado de rua "Roque Santeiro", de Luanda, capital de Angola, viraram pautas nas lentes da câmera do fotógrafo e ganharam as páginas do New York Times, Miami Herald, L'Express e The Los Angeles Times.

Em Angola, a "invasão" à realidade ganhou traços humanistas e críticos. Na experiência de quem esteve perto dos problemas africanos, Vieira pôde formar opinião singular sobre o continente de menor expectativa de vida e renda do mundo. "A África é uma grande catástrofe. É um lugar complicado de entender sem se ter pisado. Os movimentos de independência foram um fracasso, criaram sociedades corruptas. O continente se tornou o grande aliviador de culpa do Ocidente". Hoje, Vieira diz realizar o trabalho de maior repercussão de sua carreira. Com produção autoral e financiamento de grandes veículos de comunicação, o fotógrafo desenvolve um projeto sobre a destruição da Amazônia, uma região, segundo ele, muito comentada e pouco conhecida. "A imprensa brasileira sempre foi muito preguiçosa em entender as causas dos problemas da Amazônia. A região é uma tragédia social, uma vergonha, onde o principal ausente é o governo brasileiro.

Depois de mais de dez anos sobrevivendo sob a ótica das lentes de uma câmera, Vieira ressalta o olhar crítico ao mercado fotográfico. Segundo ele, grandes profissionais são desperdiçados, devido ao pouco incentivo do setor editorial. Com base fixada no Brasil, e vôos alçados pela África, Ásia e América do Norte, o fotógrafo contraria as expectativas da biologia e mostra o alcance histórico e mundial da "mosca de parede".
P. Imprensa




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