"A fotografia a mosca da parede que eu sempre sonhei ser". Esta a frase que motivou a trajetria do carioca Andr Vieira. Jornalista por formao e fotgrafo por opo, como ele mesmo diz, possui trabalhos publicados por veculos como New York Times, Vanity Fair, The Los Angeles Times e National Geographic Brasil. Com a experincia profissional de quem registrou a guerra do Afeganisto e a destruio da regio amaznica, Vieira diz que a fotografia o permitiu adentrar, por meio das lentes de uma cmera, em realidades bastante complexas e diferentes do cotidiano usual.
Desde a graduao em Jornalismo pela Pontifcia Universidade Catlica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), o apreo pelas cmeras e negativos falava mais alto, o que, inclusive, foi um fator relevante pela opo do curso. "Queria fazer algo que me permitisse viajar. Sempre vi o mundo de um modo fotogrfico. Era uma desculpa para eu entrar em uma realidade que no a minha".
E essa "invaso" no cotidiano alheio tornou-se sua realidade em poucos anos. Formado em Jornalismo e, aps passagens pelo jornal O Dia e revista Manchete, Vieira partiu para Nova York, de onde comeou a atuar como freelancer em veculos brasileiros e norte-americanos. Em um destes trabalhos, realizado em 2001, percorreu a montanhosa e seca regio do Afeganisto, em meio invaso dos EUA, onde conheceu os paradoxos de um conflito armado. "Guerra um grande desperdcio de gente, recursos e vidas. Com o tempo, ela se torna o cotidiano das pessoas (...) Tive que andar no lombo de um jegue e, a menos de 1 km, bombas teleguiadas de alta tecnologia eram lanadas pelas milcias".
Em 2002, Vieira voltou s razes e se fixou no Rio de Janeiro (RJ), cidade que se tornou como um pouso na rotina itinerante do fotgrafo. De l, dirigiu-se para diversos pontos do mundo, entre Amrica, Europa e frica. A regio industrial do Vale do Ruhr, na Alemanha, as reas de minrio da Guiana Francesa e o mercado de rua "Roque Santeiro", de Luanda, capital de Angola, viraram pautas nas lentes da cmera do fotgrafo e ganharam as pginas do New York Times, Miami Herald, L`Express e The Los Angeles Times.
Em Angola, a "invaso" realidade ganhou traos humanistas e crticos. Na experincia de quem esteve perto dos problemas africanos, Vieira pde formar opinio singular sobre o continente de menor expectativa de vida e renda do mundo. "A frica uma grande catstrofe. um lugar complicado de entender sem se ter pisado. Os movimentos de independncia foram um fracasso, criaram sociedades corruptas. O continente se tornou o grande aliviador de culpa do Ocidente". Hoje, Vieira diz realizar o trabalho de maior repercusso de sua carreira. Com produo autoral e financiamento de grandes veculos de comunicao, o fotgrafo desenvolve um projeto sobre a destruio da Amaznia, uma regio, segundo ele, muito comentada e pouco conhecida. "A imprensa brasileira sempre foi muito preguiosa em entender as causas dos problemas da Amaznia. A regio uma tragdia social, uma vergonha, onde o principal ausente o governo brasileiro.
Depois de mais de dez anos sobrevivendo sob a tica das lentes de uma cmera, Vieira ressalta o olhar crtico ao mercado fotogrfico. Segundo ele, grandes profissionais so desperdiados, devido ao pouco incentivo do setor editorial. Com base fixada no Brasil, e vos alados pela frica, sia e Amrica do Norte, o fotgrafo contraria as expectativas da biologia e mostra o alcance histrico e mundial da "mosca de parede".
P. Imprensa